sábado, 28 de abril de 2012

Onde estão os cristãos?


 João Pereira Coutinho, escritor português

Bento 16 é um diplomata: na sua mensagem de Páscoa, o papa apelou ao fim dos confrontos na Síria. E, com cautelas mil, teve ainda uma palavra de preocupação pelos cristãos do mundo inteiro, que sofrem pela sua fé e são perseguidos pelas autoridades locais.

O papa fez bem em levantar o véu. Mas um leitor interessado nos pormenores sórdidos da vaga anti-cristã --nomes, números, crimes etc.-- deve ler a edição pascal da revista "The Spectator". Que, dessa vez, dedica uma especial atenção aos cristãos do Oriente Médio. Primeira conclusão: os cristãos da zona não estão a gostar da "primavera árabe".

Pelo contrário: para muitos deles, a primavera virou inverno e a sobrevivência deixou de ser uma certeza. Conta a "Spectator": nos inícios do século 20, os cristãos árabes representavam 20% da população total. Hoje, andam pelos 5%.

Existem casos para todos os gostos. No Iraque, por exemplo, a invasão americana de 2003 encontrou uma comunidade robusta de 1,4 milhões de cristãos. Passaram-se quase dez anos --e, em dez anos, aconteceu de tudo: a destruição de igrejas (70); a morte de fiéis (cerca de 1000); e a fuga de 800 a 900 mil do país. Hoje, dos 1,4 milhões iniciais, restarão uns 400 mil.
Na Síria, a situação não é melhor. Não apenas porque o país está envolvido numa guerra civil "de facto"; mas porque os rebeldes islamitas aproveitam o momento de luta contra o regime de Bashar al-Assad para fazerem outro tipo de limpezas religiosas. Só em Homs, 50 mil cristãos foram expulsos da cidade nos últimos dois meses de confrontos. Um número impressionante?

Nem por isso. No Egito, e só em 2010, 200 mil cristãos deixaram as suas casas em Alexandria, Luxor ou no Cairo. Esses foram os afortunados. Os menos afortunados foram mortos na passagem do ano em Alexandria (21) ou na capital (mais 27).

Claro que, perante este quadro negro, há motivos de esperança. Se os cristãos são perseguidos, massacrados ou expulsos dos países árabes, isso não significa que não encontrem abrigo na região. O leitor é capaz de adivinhar qual o pedaço do Oriente Médio onde a população cristã subiu 2.000% nas últimas seis décadas?

Se o leitor pensou na tolerante Gaza (ou na Cisjordânia), lamento desapontá-lo. Em Gaza, e desde 2007, metade da comunidade cristã também resolveu fazer as malas para não ter problemas com o Hamas. E, sobre a Cisjordânia, os 15% de cristãos estão hoje reduzidos a uns míseros 2%.

O país que tem servido de abrigo para a comunidade cristã é, acredite se quiser, Israel. Aliás, não apenas para os cristãos --mas para outras minorias perseguidas do Oriente Médio.
Eis o supremo paradoxo: Israel é um estado tão racista e intolerante que, na hora do aperto, é a escolha nº 1 das vítimas do racismo e da intolerância.

João Pereira Coutinho, escritor português, é doutor em Ciência Política. É colunista do "Correio da Manhã", o maior diário português. Reuniu seus artigos para o Brasil no livro "Avenida Paulista" (Record). Escreve às terças na "Ilustrada" e a cada duas semanas, às segundas, para a Folha.com.

domingo, 21 de agosto de 2011

Jerusalém e o Estado Palestino

Jerusalém e o Estado Palestino

Humberto Viana Guimarães

No que se refere à cidade de Jerusalém temos que ser realistas: ela jamais foi a capital de qualquer nação árabe. A sede do califado mulçumano sempre foi Bagdá, e as rotas do comércio sempre passavam pelo Cairo e em Damasco. A Jordânia invadiu e ocupou Jerusalém Oriental – 1948-1967 –, dividindo a cidade pela primeira vez, desde a sua criação, sendo o único período, desde os tempos bíblicos, em que não houve presença judaica nessa parte da cidade.

A Jordânia não só expulsou os judeus como proibiu que eles orassem em seus lugares sagrados, além de criar sérias restrições de acesso aos cristãos. Para tal, o governo jordaniano separou os dois setores da cidade com cercas de arame farpado e campos minados, para assim controlar a entrada daqueles que não fossem árabes e mulçumanos. Cometeu todo tipo de arbitrariedade para fazer desaparecer qualquer vestígio da milenar presença judaica na cidade: destruiu várias sinagogas (algumas viraram estábulos) e profanou o milenar cemitério judeu do Monte das Oliveiras, para que ali passasse uma estrada. Suas lápides foram utilizadas na pavimentação e em latrinas.

Uma verdadeira violência, pois a Resolução 181 da ONU previa o livre acesso e trânsito de todas as nacionalidades, sem distinção de credo. Nem nos mais remotos tempos foram cometidas tais arbitrariedades. Mesmo depois da retomada de Jerusalém, em 1187, pelo sultão curdo Salah ad-D?n Yusuf ibn Ayyub (Saladino), e no período do império otomano que durou mais de seis séculos (até 1917), nunca havia sido cerceada a liberdade religiosa das três maiores religiões monoteistas.

Que as autoridades do Estado Palestino procedam como o governo de Israel que, como país democrático, após a reconquista da parte oriental de Jerusalém em 1967, deu plena e total liberdade religiosa e acesso, sem qualquer tipo de restrições, aos lugares sagrados dos cristãos, judeus e muçulmanos. Todos circulam livremente.

Curiosa, portanto, essa intransigente exigência da Autoridade Nacional Palestina em ter a capital do Estado Palestino na parte Oriental de Jerusalém.

Pergunto: estarão de fato, Mahmoud Abbas, comandante do Fatah e presidente da Autoridade Nacional Palestina,Khaled Meshaal, do Hamas (antes dos conflitos na Síria, vivia nababescamente em Damasco — como nunca quis enfrentar a batalha, “se mandou” para Doha, no Catar, a milhares de quilômetros de Gaza, e Ismail Haniyeh, seu porta-voz, que se vire!) e Sayyid Hassan Nasrallah, do Hezbollah, dispostos a uma paz definitiva com Israel? Dá para acreditar nas promessas do Hezbollah, que é financiado pelo Irã, cujo presidente, Mahmoud Ahmadinejad, nega a existência do Holocausto e prega abertamente a destruição de Israel? E o que dizer do Hamas, que, após a morte de Bin Laden, fez uma declaração considerando o saudita com um “santo guerreiro árabe”?

O primeiro gesto de boa vontade por parte dos palestinos é reconhecer o Estado de Israel. Como disse Benjamin Netanyahu em seu discurso no Congresso americano em 24/05: “Eu aceito o Estado Palestino. É hora de o presidente Abbas conclamar o seu povo e dizer ‘Eu aceitarei o Estado judeu’”.

Na Sura Al-Baqarah 2,143, do Corão (Al-Karim al-Qur’an), está escrito: “E, assim, fizemos de vós uma comunidade mediana, para que sejais testemunhas dos homens e para que o Mensageiro seja testemunha de vós”. De acordo com a tradução do Corão elaborada pelo eminente professor de estudos árabes e islâmicos da Universidade de São Paulo (USP) Helmi Mohamed Ibrahim Nasr – uma das maiores autoridades mundiais no assunto –, com a colaboração da Liga Islâmica Mundial impressa no Complexo do Rei Fahad, Arábia Saudita, a palavra “mediana é tradução do vocábulo árabe ‘wasat’, e indica que a nação árabe deve estar isenta de extremismo, em todos os aspectos, uma vez que, segundo a máxima árabe, o que é melhor está no meio, aliás, essa ideia coincide com a máxima latina ‘in medio stat virtus’”.

Que os palestinos sigam os ensinamentos do Profeta (sallAllahou alayhi wasallam, que a bênção e a paz de Deus estejam com ele).

*Humberto Viana Guimarães é engenheiro civil, consultor e pesquisador da História do Oriente Médio

extraído do blog "Noticias da Rua Judaica" - Agosto/2011

sábado, 11 de junho de 2011

Um conto de duas cidades: Istambul versus Jerusalém










Texto extraído do blog “Noticias da Rua Judaica” (http://www.ruajudaica.com/) , muito interessante sobre a polemica trazida a tona recentemente. Só pela introdução histórica já vale a pena, depois sua conclusão sábia.

Reflitam sobre a pergunta feita pelo autor no final do artigo. Segue ...


verdade sobre as fronteiras de 1967
Descrição: http://www.owurman.com/images/linha_pontilhada.gif


Um conto de duas cidades: Istambul versus Jerusalém

Burak BEKD?L

Recentemente, tem havido muitas conversações sobre um retorno às fronteiras árabes e israelenses de 1967, incluindo uma nota fluida dita pelo presidente Barack Obama. A primeira parte desta mini-série vai visitar Jerusalém em 1967, e retornar para Istambul em 2011. Em primeiro lugar uma anatomia cronológica dos eventos que conduziram para a Guerra dos Seis Dias em 1967, e como a guerra foi travada:


- Gamal Abdel Nasser, o carismático líder do Egito era o queridinho dos árabes. Ele sonhava com uma nação pan-árabe, mas, ele pensava, o principal obstáculo no meu caminho é Israel. Nasser morreu de ataque cardíaco três anos após a Guerra dos Seis Dias. Seus amigos disseram que ele morreu com um coração ferido.

- O não tão carismático primeiro-ministro de Israel, Levi Eshkol, não era queridinho de ninguém, especialmente durante a crise diplomática que levou à guerra de 1967. Muitos israelenses duvidavam da sua capacidade de administrar um país que estava caminhando para a guerra com múltiplas frentes. Ele também tinha um sonho, e que não era o pan-israelismo, nem a conquista de Jerusalém. Ele sonhava com a paz. E ele, também morreu com o coração ferido, de acordo com sua esposa.


- Na primavera de 1967 a Síria abrigava e treinava militantes palestinos, que declararam que a causa da sua guerra santa era a "aniquilação do Estado de Israel". Em um incidente caças de combate de Israel e da Síria colidiram, e o primeiro-ministro Eshkol emitiu uma leve advertência para Damasco.


- O Kremlin leva a sério a advertência de Eshkol. Em 1967 o Egito assim como a Síria estavam sob a influência soviética. Na primavera de 1967 os soviéticos secretamente transmitem notícias surpreendentes para o porta-voz do parlamento do Egito, Anwar Sadat: Em uma semana, Israel estará pronto para atacar a Síria. Sadat transmite com urgência a informação para Nasser.


- Cairo ordena que quatro divisões se posicionem na fronteira do Sinai. Ele também convoca milhares de soldados da reserva. Finalmente 40.000 soldados, mais de 300 tanques de fabricação soviética, artilharia e viaturas de transporte de tropas atravessam o Sinai. As nações árabes com entusiasmo apóiam as tropas na fronteira.


- As informações da inteligência soviética mostraram ser uma farsa. Israel não ataca a Síria. Mas Nasser não pode voltar atrás da idéia de acabar militarmente com Israel. Ele está sob pressão de seu próprio estado maior militar, da sua própria nação e do mundo árabe.


- E enquanto Israel celebra o 19º aniversário da sua independência, o gabinete de guerra mobiliza uma brigada de 3.000 homens, e convoca reservistas. A população de Israel é de 2,5 milhões de pessoas.

- Uma zona tampão com alguns milhares de soldados das tropas da ONU separam as tropas inimigas. A missão de paz já está lá há mais de 10 anos. No dia 16 de maio Nasser ordena ao Comandante da Força da ONU Indar Jit Rykhye para que evacue as suas tropas dentro de 48 horas. Quando Rykhye pergunta a um comandante egípcio se o Egito estava ciente das conseqüências, o comandante responde: "Oh senhor (não se preocupe), eu vou encontrá-lo para almoçarmos em Tel Aviv". A força deixa a região e Egito e Israel são deixados sozinhos.

- Em 22 de maio Nasser fecha o Estreito de Tiran à navegação israelense, o que praticamente se constitui uma declaração de guerra. Este ato eletriza o mundo árabe, especialmente os palestinos de Jerusalém Oriental que haviam sido deslocados em 1948. Nasser fala sobre o retorno às fronteiras pré-1948, ou seja, Israel não existiria mais.

- O Secretário Geral da ONU, U Thant, chega ao Cairo, mas não consegue convencer Nasser, que lhe diz reservadamente que ele tem medo de um golpe de estado ou de ser assassinado. Os generais egípcios querem a guerra, Nasser afirma.

- O Ministro das Relações Exteriores israelense Abba Eban viaja para Washington, mas não consegue a ajuda dos Estados Unidos pois o presidente Lyndon Johnson não se compromete que os EUA ajudarão se Israel for atacado.


- Há entusiasmo e apoio no mundo árabe para a próxima guerra. O Kuwait promete que o seu exército ficará sob o Comando Unido, juntamente com a Argélia, Marrocos e Tunísia. O Rei da Arábia Saudita Faisal se une a coalizão, e diz: "Queremos ver o extermínio de Israel".


- No dia 30 de maio o Rei da Jordânia, Hussein voa para o Cairo para assinar um pacto de defesa com Nasser. O exército jordaniano agora será comandado por um general egípcio.

- A CIA informa ao chefe do serviço de inteligência de Israel, Meir Amit, "Nós planejamos nada fazer, se Israel for atacado".

- As 07:50 do dia 5 de junho, a Força Aérea israelense decola para atingir todas as bases aéreas do Egito simultaneamente. Em três horas a força aérea egípcia é totalmente destruída, tendo perdido 280 modernos caças e bombardeiros. E em duas horas a força aérea síria é destruída e alguns minutos somente para destruir a da Jordânia.


- A população árabe dança nas ruas quando as transmissões de rádio do Cairo informam sobre grandes vitórias contra Israel. Israel ordena o silêncio de rádio total. Depois que Israel destruiu as linhas de comunicação jordanianas a Jordânia somente recebe notícias da guerra pela Rádio do Cairo. Em uma conversa telefônica Nasser diz ao rei Hussein que os aviões egípcios estão sobre os céus de Israel. Incentivada pelas (falsas) notícias a Jordânia bombardeia cidades israelenses.

- A batalha por Jerusalém começa. Israel envia pára-quedistas para Jerusalém. Em cinco horas a resistência da Jordânia está vencida.

- Uma conversa telefônica de Nasser com Hussein é interceptada, na qual os dois discutem se devem culpar somente os EUA ou os EUA e a Grã-Bretanha pela derrota humilhante. Ambos, eles concordam.

- Nas negociações na ONU o Egito e Síria recusam um cessar-fogo e terra por um acordo de paz.

- O exército egípcio se retira do Sinai. Israel captura dezenas de milhares de prisioneiros que posteriormente foram soltos.

- Em quatro dias Israel vence Egito e a Síria e controla toda Jerusalém. Mas os bombardeios sírios começam. No quinto dia Israel ataca a Síria e captura as Colinas de Golan. Desta vez na ONU, a Síria quer um cessar-fogo, mas Israel resiste. O exército israelense chega a 40 quilômetros de Damasco. Então Israel faz uma parada e concorda com um cessar-fogo.



- A Guerra dos Seis Dias acabou. Israel agora controla 3,5 vezes mais território do que tinha a seis dias, incluindo Jerusalém. Israel oferece a devolução do Sinai e das Colinas de Golan em troca da paz; também Israel está disposto a negociar sobre a Cisjordânia, mas insiste em manter toda a cidade de Jerusalém.

- Um mês após a guerra os líderes árabes se reúnem em Cartum. Nasser ainda é o líder indiscutível do mundo árabe. Os líderes árabes recusam a proposta conjunta EUA-URSS de terra por paz. A convenção termina com quatro notas: Não ao reconhecimento de Israel, não para negociações, não para a paz, e todos os Estados árabes devem se preparar para uma ação militar.

Portanto vamos tentar nos livrar das amarras da ideologia religiosa ou apenas da ideologia e tentarmos sermos justos. O retorno às fronteiras de 1967 significa uma aposta sem perda, uma contradição em si mesma. É o mesmo que apostar dinheiro em um jogo, perder e fazer um escândalo na loja de apostas para devolverem o dinheiro. Em termos de guerra, isso seria o mesmo que os gregos propondo para que a Turquia voltasse às fronteiras pré-1923: Eles atacaram, perderam, e os gregos, ao contrário dos árabes, não têm a intenção de capturar a Anatólia central no século 21.

Aqui a questão é simples: Será que a Arábia Unida hoje concordaria em voltar para as fronteiras de 1967 se a sua gloriosa força de oito nações unidas conseguissem aniquilar Israel há quatro décadas? Os árabes deveriam ser capazes de entender que eles sempre podem desfrutar de um almoço em Tel Aviv, como os pacíficos cidadãos árabes de Israel o fazem, uma vez que superem o ódio religioso e ideológico e façam a paz com Israel.

domingo, 20 de junho de 2010

Sonho Sionista

EXCELENTE !!!

Abaixo a resposta do jornalista israelense Yossi Lapid para o escritor palestino Anton Shamas que escreveu o seguinte (texto traduzido do francês):
"Senhoras e senhores, chegou o momento, neste dia de festa, de reconhecer com total franqueza e sem sentimento de vergonha e sem baixar os olhos que esse negocio acabou mal. A aventura sionista é um fracasso total.
Anton Shamas
"

Eis a resposta de Yossef Lapid:


"Shamas, meu amigo,
Um Estado que exporta sistemas sofisticados de computação e ensina estados sul americanos a plantar melões. Um Estado que exporta todos os meses produtos no valor de um bilhão de dólares para a Europa, EUA e mesmo Japão. Uma democracia exemplar onde os ministros temem os controles e a prestação de contas e onde os juízes só temem a Deus.
Um Estado que possui um dos melhores exércitos do mundo. Um estado onde há poucos crimes de sangue mas muitos excelentes concertos. Onde os fiéis de todas as religiões gozam de liberdade de culto e onde mesmo os leigos são bem-vindos.
10% dos cidadãos do pais são imigrantes novos; 89% acham que apesar de todas as dificuldades (e a Agência Judaica) , é um bom país para se viver. Eis um Estado onde um Anton Shamas é um homem livre, em um dia de festa nacional, é livre de publicar um ataque virulento contra tudo que é caro aos judeus que vivem neste país.
Shamas, será talvez capaz de nos perdoar tudo isso. Mas o que ele não agüenta, é o fato que, apresentados à luz das realizações do sionismo, as falhas dos árabes parecem tão humilhantes e deprimentes. Quantos Palestinos há, meu amigo? Um milhão, dois? Três?
E quantos Estados árabes te cercam? Vinte? Vinte países com reis e ditadores de terror e derramamento de sangue.
Não há uma só democracia árabe com liberdade de expressão e direitos cívicos. Você nos fala de fracasso do Estado de Israel comparado com quem? A Argélia, o Egito? O Iraque? Quantos Árabes há entre o Atlântico e o Golfo pérsico? Cem milhões? Duzentos?
E quantos muçulmanos há? Um bilhão! E eles rezam ao mesmo Alá, em nome do mesmo profeta Maomé. E todos, tantos são e não conseguem resolver o problema do esgoto em Gaza!
Há 47 anos vocês se preparam para a independência palestina, e ainda não conseguem recolher o lixo doméstico de Jericó.
Apesar de todo o petróleo do mundo, não conseguem mobilizar a fraternidade árabe para construir um hospital em Deir Balah.
E todas as torneiras de ouro puro da Arábia Saudita e todas as Jacuzzis do Kuwait não bastam para fornecer água potável em Jabalya.
Isto posto, amigo, você sabe muito bem não é?
Se um milhão de judeus vivessem em Gaza, esta cidade se tornaria um paraíso terrestre. Neste momento operários palestinos fariam fila para lá trabalhar.
Se houvesse um bilhão de judeus, os Judeus de Gaza não precisariam de esmola da ONU. Os Judeus do mundo cuidariam dos judeus de Gaza e Gaza seria há muito a pérola do Mediterrâneo.
Vamos lá, Anton Shamas, tudo isso você já sabe, e é bem isso que te exaspera.
É a inveja que te devora e te perde.
Assim, veja, o momento chegou de concluir com total franqueza, sem sentimento de vergonha e sem baixar os olhos: aquilo que não funcionou é a aventura palestina que terminou em fracasso total.
Em meio século, partindo de quase zero, os sionistas forjaram um Estado que lança seus próprios satélites no espaço e fornece à marinha americana aviões espiões sem piloto.
A língua hebraica (uma das maravilhas do sionismo) uniu os sabras aos refugiados dos campos, os judeus sefaradim e os judeus do leste e do oeste.
O sionismo é a maior 'success story' do século XX!
50 anos após a derrota de Hitler e do Mufti de Jerusalém, o sionismo vive e prospera no coração do Oriente Médio, num Estado com 4 e ½ milhões de judeus de cuja sobrevivência em certo momento se poderia duvidar.

Yossi Lapid"

sábado, 19 de junho de 2010

O antissemitismo é novamente politicamente correto

O antissemitismo é novamente politicamente correto

A flotilha de Gaza foi uma peça de teatro islâmica perfeita, revelando um antigo ódio europeu.

Por: Leon de Winter*

É um fenômeno fascinante: Por que as pessoas e organizações que se apresentam como progressistas se unem a muçulmanos reacionários?

O grupo “Free Gaza” se mostra apenas como uma aliança de esquerda islâmica. Bem, Gaza já está livre. Israel retirou-se da estreita faixa há cinco anos. E também não há necessidade de qualquer ajuda humanitária. Mais de um milhão de toneladas de suprimentos humanitários entrou em Gaza proveniente de Israel nos últimos 18 meses, o equivalente a quase uma tonelada de ajuda para cada homem, mulher e criança na região.

Mas a população de Gaza votou em eleições democráticas para serem governados por um partido cujo ódio aos judeus é a pedra fundamental da sua existência. Qualquer um que duvide disso deve ler o manifesto do Hamas na Internet. O fato de que Gaza está completamente "livre de judeus" não é suficiente para o Hamas. Eles querem que Israel também seja "livre de judeus". O bloqueio de Israel para "produtos estratégicos" não foi concebido para punir o povo palestino, mas para impedir o Hamas de obter armas pesadas e construir abrigos subterrâneos. Uma idéia simples de entender.

Por exemplo, ao contrário de Gaza, a Chechênia não é livre. Os russos esmagaram a luta pela independência dos chechenos com o bombardeamento intensivo de sua capital. E o que dizer de um estado curdo? Os turcos e iraquianos infligiram horrores inimagináveis contra os curdos. No entanto, apesar disso, não há a “Flotilha Livre do Curdistão” indo em direção a Turquia, e as autoridades russas não têm medo de serem presas em capitais européias por crimes de guerra.

Aqui estão mais alguns fatos. Vamos observar a taxa de mortalidade infantil em Gaza. Este é um número chave, que diz muito sobre as condições de higiene, nutrição e cuidados com a saúde. Em Israel, a taxa de mortalidade infantil é de 4,17 por 1.000 nascimentos, o que é aproximadamente o mesmo que nos países ocidentais. No Sudão a taxa é de 78,1, ou seja, uma em cada 13 crianças morrem ao nascer. Em Gaza, a mortalidade infantil, por 1.000 nascimentos é 17,71. Sim, este número é maior do que em Israel, mas muito menor do que no Sudão. E a taxa de mortalidade infantil da Turquia? Bem, isso é 24,84. Sim, mais crianças morrem ao nascer na Turquia do que em Gaza.

Aqui está outro fato. A expectativa de vida é 73,68 anos em Gaza. E na Turquia, novo protetor de Gaza, a expectativa de vida é de apenas 72,23 anos. Se os israelenses realmente queriam tornar a vida dos palestinos curta e desagradável, então eles estão obviamente fazendo algo errado.

Os progressistas não ligam para qualquer outro grupo de muçulmanos pobres ou oprimidos. Eles só clamam pelas "vítimas" dos judeus. Por que isso acontece?

Uma das razões é Yasser Arafat, cujo gênio foi redefinir a causa palestina na retórica neo-marxista e antiimperialista. Ele criou um novo contexto para o seu povo: a luta contra o colonialismo e o racismo. Ele era um líder corrupto clássico com um talento incrível para jogar com a mídia e os políticos ocidentais. Os progressistas adotaram os palestinos como seus favoritos, a vítima quintessência do imperialismo e do colonialismo, como resumido pelo estado sionista.

Mas há outra razão pela qual os progressistas ocidentais odeiam Israel, mas são indiferentes para as violações dos direitos humanos na Turquia, Irã ou Rússia. Isto por causa do Holocausto.

Os europeus, que representam muito do que vai para a opinião pública mundial, se cansaram de carregar a culpa pela destruição dos judeus do continente. Eles começaram a sonhar com alguma forma de libertação histórica. Isso está vindo na forma de resposta militar de Israel aos ataques islâmicos e terroristas. Os europeus não poderiam perder a oportunidade de difamar os judeus e redefinir as medidas de defesa de Israel como “desproporcional” ou total agressão - em outras palavras, crimes de guerra.

Na visão dos progressistas europeus, o conflito Israel-Palestina tornou-se um conflito sem comparação, um fenômeno único de vítimas européias gerando vítimas palestinas, que parecia diminuir o peso dos europeus sobre o massacre do povo judeu.

Assistindo a demonização de Israel, o ataque ao seu direito de defesa, como disse o primeiro-ministro Benyamin Netanyahu, torna-se claro que existe uma necessidade profunda entre os europeus em chamar os judeus de assassinos. É por isso que os palestinos, como "vítimas" dos judeus, são mais importantes que as numerosas vítimas muçulmanas dos extremistas também muçulmanos. É por isso que milhões de outros muçulmanos que vivem em piores condições do que os palestinos dificilmente recebem qualquer menção na mídia. É por isso que Gaza é comparada com o Gueto de Varsóvia e Auschwitz. Ao chamar os israelenses de nazistas, os verdadeiros nazistas foram legitimados. É como se os europeus, liderados pelos progressistas, desejassem que os árabes terminassem o trabalho. Chega com os judeus. Isto é o que é: A libertação da Europa do legado do Holocausto.

Por décadas, os nossos progressistas, ativistas pacifistas ocidentais, foram enganados e manipulados por árabes tiranos e agora por turcos e iranianos islamitas. Eles estão ajudando nos esforços para destruir um dos maiores sucessos dos tempos modernos: a criação do Estado de Israel.

O que temos assistido com a frota de Gaza é a execução perfeita de uma obra magistral de teatro islâmico. A indignação selvagem da mídia, um orgasmo de hipocrisia, marca o próximo capítulo da longa história do ódio dos europeus contra os judeus. É politicamente correto, novamente, ser um antissemita.

*Leon de Winter é um romancista holandês. Seu último livro é "O Direito de Retorno" (2008).


NENHUM DIA DE PAZ 2


De: marcoa_or@ ...

Enviada em: sábado, 19 de junho de 2010 10:13
Para: 'Beto'
Assunto: RES: Fw: NENHUM DIA DE PAZ

Beto,

Li o texto e gostaria de respostas sobre alguns questionamentos. Antes gostaria de ressaltar que não tenho nada contra Israel nem os Judeus, até por que sou casado com uma judia. Bom, são só perguntas que não acho respostas

1- Israel é um país desenvolvido, com uma economia muito boa, com excelente educação e saúde, por que se preocupar tanto com um “pedaço de terra”, será que isso não seria orgulho?

2- O Holocausto é uma coisa que o mundo todo,sabe que aconteceu, inclusive o 1° Ministro Alemão (que não lembro qual foi) desculpou-se ao mundo inteiro. O próprio Papa João Paulo II, desculpo-se pela igreja católica ter lavado as mãos na segunda guerra mundial. Pergunto por que se preocupar tanto com um lunático, que coloca em xeque uma coisa que o mundo todo sabe que aconteceu.

3- A segunda guerra Mundial, ACABOU, todos sabem do sofrimento que os Judeus da Europa e não por que do mundo sofreu, nas câmeras de gás, experiências medicas, fuzilamentos etc etc etc. Mais vamos pensar um pouco, as maiores riquezas do mundo estão nas mãos de Judeus, os maiores empresários do mundo são Judeus, a maioria dos ganhadores de premio Nobel são Judeus, você não acha que está na hora do povo judeu tocar sua vida, e esquecer um pouco o holocausto? Não estou dizendo que essa atrocidade deva ser esquecida por completo, mais vejo que a maioria dos Judeus se apegaram a isso como quisesse que a 2° guerra nunca acabasse. Não sei talvez eu esteja errado mais o sentimento que tenho é que o povo Judeu quer ser o povo coitadinho, que sofre de tudo, que eles que sofreram o holocausto e que eles não podem mais sofrer por nada desse mundo, sofre mania de perseguição, desculpe-me se estou sendo ofensivo não é a minha intenção, são só questionamentos de um “goiá, não sei se é assim que se fala. RS” que gostaria de entender um pouco mais sobre todo esse processo. O sofrimento faz parte da vida e da evolução do ser humano.

Em relação ao Baeaaa, tricolor, Putz nunca vi nada um clube da tanto para trás como esse, você como um cara inteligente deveria ver o que é melhor para você e tentar mudar para um time vencedor, como um tal que tem em nosso estado com um nome bem sugerido para os vencedores, como é mesmo o nome do time? Há lembrei ESPORTE CLUBE VITÓRIO...

Abraços


Marcos,

Acho que posso te ajudar com algumas respostas das questões aiinda tem. Vamos lá :

1. Acredito que quando você cita “pedaço de terra” esteja se referindo a Faixa de Gaza. Acho que Israel deixou bem claro que não tem interesse territorial em Gaza, quando a alguns anos se retirou totalmente do local. Não sei se você se lembra quando alguns colonos foram removidos a força para que toda a estrutura construída fosse deixada para administração palestina. Isso tudo ainda no governo do Ariel Sharon ! Esse foi um dos movimentos em direção a paz feito unilateralmente por Israel que foi interpretado pelos fundamentalistas como sinal de fraqueza. Pode ?!

2. Meu caro, estou me lixando para o Ahmadinejah, mas o que me incomoda e acredito a todos o judeus, quando alguém chega e diz que o “holocausto não foi bem assim” , que não foram 6.000.000 (provado documentalmente), mas apenas uns 600.000 (como se este numero também não fosse grande). Isto fere a todos que sobreviveram aquele horror (e eu conheci pessoalmente um) ou os parentes que ficaram. E o que mais nos preocupa hoje é que este tal lunático vai ter em breve uma arma nuclear. E ele tem dinheiro (do petróleo), intenção e antecedentes que comprovam que ele é capaz de executar seu plano de “varrer Israel” do mapa. Se fingirmos que não é bem assim, e continuarmos a apoiar seus planos, como faz nosso governo, o que faremos quando em questão de uma fração de segundos, milhões de pessoas desaparecerem da face da Terra ? Neura minha ?!? pode ser, mas acho que lá pelos anos de 1939, alguém deva ter respondido algo igual quando se comentava sobre um tal Adolf Hitler;

3. Não concordo com você quando crê que nos consideramos “coitadinhos”. Acho que até somos muito passivos. Se nos achássemos coitadinhos não seríamos metade das coisas boas que você citou abaixo, e olhe que elas vem chegando até antes da 2ª. Guerra. Agora, fomos criados ao longo de séculos de perseguição e discriminações, bem antes da 2ª.Guerra. A diferença agora é que temos uma referência – Israel. Por muito tempo sempre me perguntei por que tanta perseguição. Perguntava-me também a respeito da questão até de certa forma policial, de quem afinal matou Jesus Cristo. Tenho minha opinião bem estabelecida nesta questão, mas não queria polemizar aqui com isto que considero um tabu. Mas o fato é que o antisemitismo vem de séculos e somente agora você me tem enchendo sua “caixa postal” porque o momento é único. Estamos vivendo hoje uma ameaça nuclear. Se o mundo se divide quanto a ações contra o “lunático” (você que o chamou assim), e o lula (minúsculo é proposital) vai se meter na questão só para aparecer para o mundo, e ainda aparece a flotilha para desviar esta questão. Por estes motivos, saio da minha confortável posição de leitor e passo a produzir estes textos para ao menos tentar convencê-lo de que temos que nos envolver.

Não o considero ofensivo, acho que sua opinião é a da maioria absoluta dos brasileiros, e até te agradeço por estar assim tão abertamente falando sobre o assunto, pois muitos não comentam nada disso comigo, e ao menos você me permite argumentar e assim praticar o meu ponto de vista. Já ouvi muito, calado, comentários de terceiros que não sabiam que eu era Judeu. Um cara no avião sentou do meu lado e revoltado com a atitude de funcionários da Cia. Aérea, queria que eu concordasse com ele de que o Hitler é que tinha razão. Levantei a voz e ele se quietou. Pois é !! Podemos esquecer o holocausto ? Alguns já esqueceram. Mas nós, JAMAIS ! Senão ele se repete !!!!

Agora quanto a questão do meu Baêêêaaaaa !!! Acho melhor a gente discutir este assunto só depois da final da Copa do Brasil para ver se consigo fazer você ao menos mudar de time !!!

Abraços,

Beto

Apoie Israel: se o país cair, todos nós cairemos

IMPORTANTE ARTIGO DE JOSÉ MARIA AZNAR NO JORNAL THE TIMES DE LONDRES

Apoie Israel: se o país cair, todos nós cairemos

Por: José María Aznar - Ex-Primeiro-Ministro da Espanha entre 1996 e 2004.

17 de junho de 2010 - THE TIMES DE LONDRES

Revolta em relação aos acontecimentos na Faixa de Gaza é uma distração. Não podemos esquecer que Israel, nesta região turbulenta, é o maior aliado do Ocidente.

Há muito tempo está fora de moda na Europa falar em favor de Israel. Em seqüência ao recente incidente a bordo de um navio cheio de ativistas anti-Israel no Mediterrâneo, é difícil pensar em uma causa mais impopular para lutar.

Em um mundo ideal, a intervenção do exército israelense sobre o Mavi Marmara não teria terminado com nove mortos e alguns feridos. Em um mundo ideal, os soldados teriam sido recebidos de forma pacifica no navio. Em um mundo ideal, nenhum Estado, muito menos um aliado recente de Israel, como a Turquia, teria promovido e organizado uma flotilha, cujo único propósito era criar uma situação impossível para Israel, fazendo-o escolher entre desistir de sua segurança e do bloqueio naval, ou incitar a ira mundial.

Em nossas relações com Israel, devemos deixar para trás a raiva que muitas vezes desvirtua o nosso julgamento. Uma abordagem razoável e equilibrada deve encapsular as seguintes realidades: primeiro, o Estado de Israel foi criado por uma decisão da ONU. Sua legitimidade, portanto, não deve entrar em questão. Israel é um país com instituições democráticas profundamente enraizadas. É uma sociedade dinâmica e aberta, que tem repetidamente se destacado nos campos da cultura, ciência e tecnologia. Em segundo lugar, devido às suas raízes, história e valores, Israel é uma nação de pleno direito ocidental. Na verdade, é uma nação ocidental normal, porém diante de circunstâncias atípicas.

Infelizmente, no Ocidente, Israel é a única democracia cuja existência tem sido questionada desde a sua criação. Em primeira instância, foi atacado por seus vizinhos que usavam armas convencionais de guerra. Em seguida, enfrentou o terrorismo que culminou com uma seqüência de ataques suicidas. Agora, a pedido de radicais islâmicos e seus simpatizantes, enfrenta uma campanha de deslegitimação através do direito internacional e diplomacia.

Sessenta e dois anos após sua criação, Israel ainda está lutando por sua sobrevivência. Punido com chuvas de mísseis que caem no norte e sul, ameaçado de destruição por um Irã que tem o objetivo de adquirir armas nucleares, e pressionado por amigos e adversários, Israel, ao que parece, nunca pode ter um momento de paz.

Durante anos, o foco de atenção do Ocidente tem sido, compreensivelmente, voltado ao processo de paz entre israelenses e palestinos. Mas se Israel está em perigo hoje e toda a região está deslizando rumo a um futuro preocupante e problemático, não é devido à falta de entendimento entre as partes sobre como resolver este conflito. Os parâmetros de um acordo de paz em perspectiva são claros, por mais difícil que possa parecer para os dois lados dar o passo decisivo para sua implementação.

As verdadeiras ameaças à estabilidade regional, no entanto, encontram-se no surgimento do radicalismo islâmico que vê a destruição de Israel como o cumprimento de seu destino religioso e, simultaneamente, no caso do Irã, como uma expressão de suas ambições à hegemonia regional. Ambos os fenômenos são ameaças que afetam não só Israel, mas também toda a Comunidade Internacional.

O núcleo do problema reside na maneira ambígua, e muitas vezes errônea, em que muitos países ocidentais estão reagindo a esta situação. É fácil culpar Israel por todos os males do Oriente Médio. Alguns até agem e falam como se um novo entendimento com o mundo muçulmano poderia ser alcançado somente se estivéssemos dispostos a sacrificar o Estado judeu. Isso seria loucura.

Israel é a nossa primeira linha de defesa em uma agitada região que está constantemente sob o risco de cair no caos; uma região que é vital para a segurança energética mundial devido à nossa dependência excessiva de petróleo do Oriente Médio; uma região que forma a linha de frente na luta contra o extremismo. Se Israel cai, todos nós cairemos. Para defender o direito de Israel existir em paz, dentro de fronteiras seguras, requer um grau de clareza moral e estratégica que muitas vezes parece ter desaparecido na Europa. Os Estados Unidos mostram sinais preocupantes de seguirem uma posição no mesmo sentido.

O Ocidente está atravessando um período de incerteza com relação ao futuro do mundo. No sentido amplo, esta incerteza é causada por uma espécie de dúvida masoquista sobre nossa própria identidade; pela regra do politicamente correto; por um multiculturalismo que nos obriga a curva-nos diante dos outros; e por um secularismo que, cinicamente, nos cega, mesmo quando somos confrontados por membros do jihad promovendo a encarnação mais fanática de sua fé. Deixar Israel a sua própria sorte, neste momento crucial, serviria apenas para ilustrar o quanto afundamos e como nosso declínio inexorável agora se torna eminente.

Isto não pode acontecer. Motivado pela necessidade de reconstruir os nossos valores ocidentais, expressando uma profunda preocupação com a onda de agressão contra Israel, e consciente de que a força de Israel é a nossa força e a fraqueza de Israel é a nossa fraqueza, tomei a decisão de promover uma nova iniciativa chamada Amigos de Israel com a ajuda de algumas personalidades, incluindo David Trimble, Andrew Roberts, John Bolton, Alejandro Toledo (ex-presidente do Peru), Marcello Pera (filósofo e ex-presidente do Senado italiano), Nirenstein Fiamma (autor e político italiano), o financista Robert Agostinelli e o intelectual católico George Weigel.

Não é nossa intenção defender qualquer política específica ou qualquer governo israelense em particular. Os patrocinadores desta iniciativa, com certeza, devem discordar das decisões tomadas por Jerusalém em algumas situações. Nós somos democratas e acreditamos na diversidade.

O que nos une, no entanto, é o nosso apoio incondicional para o direito de Israel de existir e de se defender. Os países ocidentais que se unem com aqueles que questionam a legitimidade de Israel, para que estes joguem com organismos internacionais as questões vitais de segurança de Israel, satisfazendo aqueles que se opõem aos valores ocidentais ao invés de se levantar com firmeza em defesa desses valores, não estão cometendo apenas um grave erro moral, mas um erro estratégico de primeira grandeza.

Israel é uma parte fundamental do Ocidente. O Ocidente é o que é graças às suas raízes judaico-cristãs. Se o elemento judeu dessas raízes for retirado e perdemos Israel, também estamos perdidos. Quer queira ou não, nosso destino está interligado.

**Foi Primeiro-Ministro da Espanha entre 1996 e 2004.