segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O Tigre Semita

Por: Carlos Alberto Montaner*


Primeiro se começou a falar dos quatro ''tigres asiáticos'': Taiwan, Singapura, Coréia do Sul e Hong Kong. Eram países que no curso de uma geração saltaram da miséria ao desenvolvimento. Depois vieram Nova Zelândia (o tigre anglo), Irlanda (o tigre celta), e também o Chile, ao qual passaram a chamar o ''tigre latino'', pais que parece decididamente encaminhado a fazer parte do Primeiro Mundo.

O curioso é que entre essas histórias de êxito ninguém cita a mais impressionante de todas: Israel. Recentemente completou 60 anos de sua tempestuosa fundação no inóspito areal do Oriente Médio.

Quase ninguém então apostava na sobrevivência daquele pequeno Estado surgido na tensa primavera de 1948 em meio dos primeiros combates da guerra fria. 

Os pais fundadores eram apenas um punhado de sonhadores cercado por dezenas de milhões de árabes dispostos a esmagá-los. Não tinham exército nem dinheiro, e provinham, alguns deles, do espantoso matadouro nazista, onde seis milhões de judeus acabavam de ser executados no mais sinistro genocídio registrado pela história da humanidade. Tinham, isso sim, uma desesperada convicção: construir um espaço seguro e decente onde o atormentado povo judeu pudesse sobreviver ao brutal anti-semitismo esporadicamente praticado por quase todas as outras nações monoteístas surgidas de Abrahão, o pai comum de judeus, cristãos e maometanos.

Israel tinha tudo contra si: a geografia, os vizinhos, o solo miserável e seco, a escassa e variada população, e também o idioma, porque o hebraico era uma língua ritual, praticamente morta, confinada à sinagoga e à leitura dos livros sagrados, que teve que se revitalizar enquanto a população judaica se comunicava nos idiomas vernáculos dos países de onde provinha. Uns o faziam em alemão, outros em polonês ou em iídiche; havia os que só dominavam o turco, o árabe ou o grego. A etnia, além do mais, se dividia profundamente em duas comunidades nem sempre concordantes: os asquenazis, geralmente de origem germano-polonesa, e os sefaraditas, originalmente procedentes da Espanha, de onde foram expulsos em 1492.

Não existia, pois, um povo judeu, mas diversos povos judeus forjados na diáspora, incluindo os que emigravam do Iêmen, Marrocos, Etiópia e, sobretudo, da Rússia. Tampouco possuíam alguma característica física ou dominante que os caracterizasse fisicamente. Vinculavam-se, além disso, de distintas formas à tradição religiosa e cultural do novo e desconhecido país, ostentando graus bem diferentes de desenvolvimento intelectual e acadêmico. Variedade que, sem dúvida, não era o melhor aderente para unificar a nascente nação que deu seus primeiros passos em meio a uma invasão destinada a "lançar os judeus ao mar''.

O que fizeram em sessenta anos os israelitas com esse mosaico heterogêneo e difícil? Fizeram uma complexa democracia parlamentar, reflexo da diversidade de uma vibrante sociedade que hoje conta com mais de sete milhões de habitantes, radicados num diminuto país de apenas 20.000 quilômetros quadrados, que desfrutam de todos os direitos individuais, na qual as poderosas forças armadas estão subordinadas à autoridade dos civis. Fizeram um governo razoavelmente eficaz, mais honrado que a média, apesar das turbulências que tiveram que viver. Fizeram um país com uma população altamente educada, com o menor índice de violência social do mundo, incluído aí 16% de pessoas de religião islâmica, uma minoria, também israelense, dificilmente assimilável, mesmo quando constitui o grupo árabe — homens e mulheres — que mais liberdades e prosperidade possuem de quantos povoam a terra.

Israel hoje tem renda per capita de US$ 29.000 e, de acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, que mede a qualidade de vida, faz parte dos trinta países “top” do mundo, entre a Alemanha e Grécia, e aonde não comparece nenhuma outra nação do Oriente Médio (nem da América Latina), embora tenha que dedicar à sua defesa nada menos que 8% de quanto o país produz, porque já verteu sangue em pelo menos três custosas guerras e amanhã poderia começar a quarta.

Como Israel conseguiu este milagre econômico? Essencialmente, cultivando seu enorme capital humano e suas virtudes cívicas, a base da inteligência, rigor, trabalho intenso e respeito à lei, o que lhe permitiu ser muito eficiente na agricultura, nas comunicações, na eletrônica, na fabricação de equipamentos médicos, na aviação e na indústria militar, e até no âmbito espacial, uma vez que já existem satélites israelenses girando em torno da terra.

Nem tudo, é claro, é perfeito no país, mas para julgar Israel sempre se deve perguntar onde existe outra sociedade livre e desenvolvida que em apenas seis décadas, surgindo do nada e contra vento e maré, conseguiu os êxitos obtidos pelo povo hebreu.

É hora de começar a falar do tigre semita. Temos que estudar muito bem o que ali se fez. É quase milagroso.


* Carlos Alberto Montaner é jornalista e escritor de origem cubana. Estima-se que sua coluna publicada numa cadeia de jornais é lida por seis milhões de pessoas. Suas opiniões fazem temer políticos na Espanha e na América Latina. Mantém-se numa posição como um dos mais respeitados jornalistas das Américas

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Pretexto Fundamental//levante islamico

Um texto que expõe muitas coisas que tem acontecido atualmente :


Pretexto Fundamental//levante islamico

 



        Para entender o levante salafista islâmico atual contra os Estados Unidos em diversos países árabes é preciso compreender e rever alguns fatos. O primeiro deles é que NÃO é um levante atual, mas parte da Guerra ao Terror iniciada em 11 de setembro de 2001, pelo Terror.


        Por quase dois dias, foi gerado um cenário antissemita difícil de desfazer quando o diretor verdadeiro do f...ilme "Inocência do Islã", Nakoula Basseley Nakoula, 55 anos, cristão copta (ramo cristão egípcio que já foi violentamente atacado pela Irmandade Muçulmana hoje no poder), se declarou "judeu-israelense" com o pseudônimo de Sam Bacile ou Nicola Bacily ou Erwin Salameh E OUTROS, conforme informação do Tribunal Federal da Califórnia. Portanto, o cristão copta é um estelionatário conhecido das autoridades norte-americanas. O auto-proclamado porta-voz do filme é Steven Klein, apresentado como consultor. Ele pretendeu a notoriedade e fama defendendo o bacilo...



        A mídia brasileira, vivendo de notas de agências internacionais ainda não sabe exatamente quem é este Klein. Mas uma pesquisa de 2 minutos pelo Google revela tudo.



        De cara, qualquer um diria e os muçulmanos e a esquerda estão dizendo: "Olha só como tem judeus envolvidos na blasfêmia", até porque há uma CERTEZA incutida pelos governos árabes e muçulmanos, e pela propaganda de esquerda internacional, ao longo de mais de 60 anos de propaganda antissemita covarde de que os "Judeus Controlam Hollywood", logo, um filme contra o islã tem que ser "judeu". Ainda mais quando um "Klein" declara de forma SAFADA que o filme foi financiado por 500 judeus!!! Isso circulou o mundo rapidamente e NENHUMA mídia irá desmentir. Está amplamente divulgado nas mídias brasileiras. Pelo contrário, as mídias dos governos de esquerda e muçulmanos vão INCENTIVAR esta compreensão.



        O nome verdadeiro do segundo crápula antissemita é Steven Anthony Klein. Não é judeu. Com 61 anos ele viveu no Texas e em Utah. Steven Anthony Klein foi fundador, secretário e ensaísta de um grupo chamado "Courageous Christians United" (Cristãos Corajosos Unidos), ativo desde 2007, cuja retórica é atacar os muçulmanos e os mórmons (vertente do candidato republicano Mit Romey). Este Klein também fundou outro grupo, chamado "Concerned Christians for the First Amendment" Cristãos Preocupados com o Primeiro Artigo (da Constituição Americana, a liberdade de expressão, liberdade religiosa), cujo foco é anti-islâmico. O CAIR (que é a entidade de representação política dos muçulmanos americanos) já havia entrado com queixas contra dos grupos de Klein pela distribuição de folhetos contra os muçulmanos nas ruas da Califórnia. 



        Um pequeno jornal da costa oeste americana escreveu sobre Steven Anthony Klein: ele é um ex-fuzileiro naval que acredita que a Califórnia está cheia de célula muçulmanas que estão esperando a ordem para começar a matar aleatoriamente quantos americanos puderem, "eu sei disso e estou me preparando para responder aos tiros."



        Em 2004 Steven Anthony Klein criou uma empresa chamada Middle East Experts Team (Equipe de Especialistas em Oriente Médio) e, aparentemente através dela, se autoproclamou o conselheiro técnico do filme de Nakoula Basseley Nakoula, o que provavelmente é verdadeiro.



        Estamos diante de um ataque de radicais cristãos contra o islã. Mas o islã não é o judaísmo. Ontem circulou um cartum que mostrava um árabe pichando um judeu ortodoxo estereotipado cheio de sangue e demoníaco e uma criança pichando um Maomé bonitinho. O árabe gritava: "Você não sabe que isso é ofensivo?" Essa é a verdade neste caso. O judeu endemonizado fere a sensibilidade de poucos judeus, como a minha, por exemplo. A massa judaica não se importa. A massa judaica recebe este tipo de agressão há tantos séculos, não anos, mas séculos, que simplesmente não se importa. O Estado de Israel não se importa, considera liberdade de expressão.



        E não nos importamos por quê? Porque como minoria imprensada nos guetos, sujeita a todo o tipo de leis discriminatórias e sem fazer parte dos exércitos, os judeus aprenderam a se calar para tentar sobreviver. Hoje a realidade é outra, mas o "cale-se" é tão arraigado que permanece. Os judeus que gritam são taxados de idiotas.



        Qualquer livro de memórias sobre os judeus da Polônia, quando a comunidade era de 3,5 milhões, um terço da população do país traz: "... se um goy xingar você, roubar você, bater em você, não reaja... se reagir ele irá matá-lo... melhor ficar vivo para ser roubado novamente..." Isso quando éramos 1/3 do povo. Como minorias muito pequenas, nossa voz pouco importa.



        Mas os muçulmanos são maioria e uma maioria enorme. Não lhes faltam nem armas descontroladas a nem apoio de aparelhos completos de Estado com exércitos complexos, forças aéreas, marinhas, forças especiais, serviços secretos, mísseis, armas nucleares, reatores nucleares, mídia controlada, sucessões controlada e petróleo. Sendo uma maioria destas eles podem fazer o que bem entenderem e o mundo vai continuar a se curvar, com poucas alternativas. Um cartum que demoniza um "judeu genérico" é uma coisa. Um filme que mostra Maomé desnudo fazendo sexo com um monte de mulheres e outra coisa.


        O islã não está preocupado com a demonstração do caráter sanguinário de seu profeta contra os infiéis. Até aplaude isso. Mas numa teologia que não permite mostrar rostos, sequer mãos ou pés do profeta e seus seguidores originais (teologia sunita, pois na xiita mostram) as cenas de seios, coxas, peitos e sexo são um OFENSA CAPITAL, e a pena será se morte.



        O ocidente tenta cobrir e compreender estes fatos com uma mentalidade ocidental, mas o problema é árabe muçulmano. A mentalidade é outra. O sistema de referências é outro. São condições normais de temperatura e pressão alienígenas às nossas. Nos países sem liberdade de expressão a liberdade de expressão é passível de pena de morte sumária sim. E se não se pode matar quem fez, que se mande um recado.



        E aí é que precisamos entender que os ataques iniciados no dia 11, por salafistas (ideologia radical muçulmana criada na Arábia Saudita e apoiada pelo Estado) não tem a ver com o filme. O filme é um pretexto. O trailer de 14 minutos foi colocado no YouTube no dia 2 de julho. A legendagem em árabe chegou em meados de agosto e o ataque foi em 11 de setembro. Não há conexão. A Google removeu ontem o vídeo legendado em árabe.


        Neste caso a Google deveria remover a versão em inglês também, pois a morte dos diplomatas americanos está se tronando lucro para Nakoula e Anthony. Há menos de 15 horas, o vídeo tinha sido visto por pouco mais de 250.000 pessoas. Hoje, com o caso estourado, já passou de 1.330.000 views. A mensagem do filme está sendo difundida de uma forma muito maior do que poderia ter sido. Segundo o diretor o filme foi passado na íntegra apenas uma vez e havia "um punhado de pessoas no cinema." 



        Salafistas são a Irmandade Muçulmana e a Al Qaeda. Qualquer ataque terrorista tem como característica o momento político local, a oportunidade, a surpresa e a cobertura. Neste caso, a cobertura é o filme, o momento político é o do poder nas mãos dos Salafistas e um mundo árabe sendo varrido por essa agenda. A surpresa é o ataque de uma forma inteligente que não pode ser retaliado, em princípio. Não há grupo específico atacando. Há grandes grupos populares atacando embaixadas americanas, com pouca ou nenhuma reação das polícias locais. A Al Qaeda criou uma forma inteligente de marcar seu território, pois parece que ninguém está impressionado com as centenas de mortes promovidas pela Al Qaeda no Iraque ao longo de agosto e neste início de setembro. É preciso que eles matem americanos para dar o recado. Deram.



        Resta ainda um ponto. É prerrogativa dos regimes árabes e muçulmanos a produção de filmes e séries de TV ofensivas. Eles PODEM publicar Shatat, Zara Blue Eyes, Horseman Whitout a Horse, e todos os outros filmes com enredo baseado no Protocolos dos Sábios de Sião que quiserem. Podem vilanizar e demonizar os judeus à vontade. Podem exibi-los nas noites do Ramadã para incitar centenas de milhões de pessoas no ódio aos judeus, ano após ano. Eles podem fazer isso por serem amparados por seus governos, parlamentos, clérigos, milionários e população.



        Nós não podemos. Não somos amparados por nada ou por ninguém. Os judeus que se insurgem contra esse massacre promovido pela mídia islâmica são apenas judeus idiotas.




        José Roitberg - jornalista idiota




        Obs: "idiota" é um sujeito com pouca inteligência. A pouca inteligência no caso é atribuída pela massa imbecil, aos que não se comportam como ela.
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sábado, 28 de abril de 2012

Onde estão os cristãos?


 João Pereira Coutinho, escritor português

Bento 16 é um diplomata: na sua mensagem de Páscoa, o papa apelou ao fim dos confrontos na Síria. E, com cautelas mil, teve ainda uma palavra de preocupação pelos cristãos do mundo inteiro, que sofrem pela sua fé e são perseguidos pelas autoridades locais.

O papa fez bem em levantar o véu. Mas um leitor interessado nos pormenores sórdidos da vaga anti-cristã --nomes, números, crimes etc.-- deve ler a edição pascal da revista "The Spectator". Que, dessa vez, dedica uma especial atenção aos cristãos do Oriente Médio. Primeira conclusão: os cristãos da zona não estão a gostar da "primavera árabe".

Pelo contrário: para muitos deles, a primavera virou inverno e a sobrevivência deixou de ser uma certeza. Conta a "Spectator": nos inícios do século 20, os cristãos árabes representavam 20% da população total. Hoje, andam pelos 5%.

Existem casos para todos os gostos. No Iraque, por exemplo, a invasão americana de 2003 encontrou uma comunidade robusta de 1,4 milhões de cristãos. Passaram-se quase dez anos --e, em dez anos, aconteceu de tudo: a destruição de igrejas (70); a morte de fiéis (cerca de 1000); e a fuga de 800 a 900 mil do país. Hoje, dos 1,4 milhões iniciais, restarão uns 400 mil.
Na Síria, a situação não é melhor. Não apenas porque o país está envolvido numa guerra civil "de facto"; mas porque os rebeldes islamitas aproveitam o momento de luta contra o regime de Bashar al-Assad para fazerem outro tipo de limpezas religiosas. Só em Homs, 50 mil cristãos foram expulsos da cidade nos últimos dois meses de confrontos. Um número impressionante?

Nem por isso. No Egito, e só em 2010, 200 mil cristãos deixaram as suas casas em Alexandria, Luxor ou no Cairo. Esses foram os afortunados. Os menos afortunados foram mortos na passagem do ano em Alexandria (21) ou na capital (mais 27).

Claro que, perante este quadro negro, há motivos de esperança. Se os cristãos são perseguidos, massacrados ou expulsos dos países árabes, isso não significa que não encontrem abrigo na região. O leitor é capaz de adivinhar qual o pedaço do Oriente Médio onde a população cristã subiu 2.000% nas últimas seis décadas?

Se o leitor pensou na tolerante Gaza (ou na Cisjordânia), lamento desapontá-lo. Em Gaza, e desde 2007, metade da comunidade cristã também resolveu fazer as malas para não ter problemas com o Hamas. E, sobre a Cisjordânia, os 15% de cristãos estão hoje reduzidos a uns míseros 2%.

O país que tem servido de abrigo para a comunidade cristã é, acredite se quiser, Israel. Aliás, não apenas para os cristãos --mas para outras minorias perseguidas do Oriente Médio.
Eis o supremo paradoxo: Israel é um estado tão racista e intolerante que, na hora do aperto, é a escolha nº 1 das vítimas do racismo e da intolerância.

João Pereira Coutinho, escritor português, é doutor em Ciência Política. É colunista do "Correio da Manhã", o maior diário português. Reuniu seus artigos para o Brasil no livro "Avenida Paulista" (Record). Escreve às terças na "Ilustrada" e a cada duas semanas, às segundas, para a Folha.com.

domingo, 21 de agosto de 2011

Jerusalém e o Estado Palestino

Jerusalém e o Estado Palestino

Humberto Viana Guimarães

No que se refere à cidade de Jerusalém temos que ser realistas: ela jamais foi a capital de qualquer nação árabe. A sede do califado mulçumano sempre foi Bagdá, e as rotas do comércio sempre passavam pelo Cairo e em Damasco. A Jordânia invadiu e ocupou Jerusalém Oriental – 1948-1967 –, dividindo a cidade pela primeira vez, desde a sua criação, sendo o único período, desde os tempos bíblicos, em que não houve presença judaica nessa parte da cidade.

A Jordânia não só expulsou os judeus como proibiu que eles orassem em seus lugares sagrados, além de criar sérias restrições de acesso aos cristãos. Para tal, o governo jordaniano separou os dois setores da cidade com cercas de arame farpado e campos minados, para assim controlar a entrada daqueles que não fossem árabes e mulçumanos. Cometeu todo tipo de arbitrariedade para fazer desaparecer qualquer vestígio da milenar presença judaica na cidade: destruiu várias sinagogas (algumas viraram estábulos) e profanou o milenar cemitério judeu do Monte das Oliveiras, para que ali passasse uma estrada. Suas lápides foram utilizadas na pavimentação e em latrinas.

Uma verdadeira violência, pois a Resolução 181 da ONU previa o livre acesso e trânsito de todas as nacionalidades, sem distinção de credo. Nem nos mais remotos tempos foram cometidas tais arbitrariedades. Mesmo depois da retomada de Jerusalém, em 1187, pelo sultão curdo Salah ad-D?n Yusuf ibn Ayyub (Saladino), e no período do império otomano que durou mais de seis séculos (até 1917), nunca havia sido cerceada a liberdade religiosa das três maiores religiões monoteistas.

Que as autoridades do Estado Palestino procedam como o governo de Israel que, como país democrático, após a reconquista da parte oriental de Jerusalém em 1967, deu plena e total liberdade religiosa e acesso, sem qualquer tipo de restrições, aos lugares sagrados dos cristãos, judeus e muçulmanos. Todos circulam livremente.

Curiosa, portanto, essa intransigente exigência da Autoridade Nacional Palestina em ter a capital do Estado Palestino na parte Oriental de Jerusalém.

Pergunto: estarão de fato, Mahmoud Abbas, comandante do Fatah e presidente da Autoridade Nacional Palestina,Khaled Meshaal, do Hamas (antes dos conflitos na Síria, vivia nababescamente em Damasco — como nunca quis enfrentar a batalha, “se mandou” para Doha, no Catar, a milhares de quilômetros de Gaza, e Ismail Haniyeh, seu porta-voz, que se vire!) e Sayyid Hassan Nasrallah, do Hezbollah, dispostos a uma paz definitiva com Israel? Dá para acreditar nas promessas do Hezbollah, que é financiado pelo Irã, cujo presidente, Mahmoud Ahmadinejad, nega a existência do Holocausto e prega abertamente a destruição de Israel? E o que dizer do Hamas, que, após a morte de Bin Laden, fez uma declaração considerando o saudita com um “santo guerreiro árabe”?

O primeiro gesto de boa vontade por parte dos palestinos é reconhecer o Estado de Israel. Como disse Benjamin Netanyahu em seu discurso no Congresso americano em 24/05: “Eu aceito o Estado Palestino. É hora de o presidente Abbas conclamar o seu povo e dizer ‘Eu aceitarei o Estado judeu’”.

Na Sura Al-Baqarah 2,143, do Corão (Al-Karim al-Qur’an), está escrito: “E, assim, fizemos de vós uma comunidade mediana, para que sejais testemunhas dos homens e para que o Mensageiro seja testemunha de vós”. De acordo com a tradução do Corão elaborada pelo eminente professor de estudos árabes e islâmicos da Universidade de São Paulo (USP) Helmi Mohamed Ibrahim Nasr – uma das maiores autoridades mundiais no assunto –, com a colaboração da Liga Islâmica Mundial impressa no Complexo do Rei Fahad, Arábia Saudita, a palavra “mediana é tradução do vocábulo árabe ‘wasat’, e indica que a nação árabe deve estar isenta de extremismo, em todos os aspectos, uma vez que, segundo a máxima árabe, o que é melhor está no meio, aliás, essa ideia coincide com a máxima latina ‘in medio stat virtus’”.

Que os palestinos sigam os ensinamentos do Profeta (sallAllahou alayhi wasallam, que a bênção e a paz de Deus estejam com ele).

*Humberto Viana Guimarães é engenheiro civil, consultor e pesquisador da História do Oriente Médio

extraído do blog "Noticias da Rua Judaica" - Agosto/2011

sábado, 11 de junho de 2011

Um conto de duas cidades: Istambul versus Jerusalém










Texto extraído do blog “Noticias da Rua Judaica” (http://www.ruajudaica.com/) , muito interessante sobre a polemica trazida a tona recentemente. Só pela introdução histórica já vale a pena, depois sua conclusão sábia.

Reflitam sobre a pergunta feita pelo autor no final do artigo. Segue ...


verdade sobre as fronteiras de 1967
Descrição: http://www.owurman.com/images/linha_pontilhada.gif


Um conto de duas cidades: Istambul versus Jerusalém

Burak BEKD?L

Recentemente, tem havido muitas conversações sobre um retorno às fronteiras árabes e israelenses de 1967, incluindo uma nota fluida dita pelo presidente Barack Obama. A primeira parte desta mini-série vai visitar Jerusalém em 1967, e retornar para Istambul em 2011. Em primeiro lugar uma anatomia cronológica dos eventos que conduziram para a Guerra dos Seis Dias em 1967, e como a guerra foi travada:


- Gamal Abdel Nasser, o carismático líder do Egito era o queridinho dos árabes. Ele sonhava com uma nação pan-árabe, mas, ele pensava, o principal obstáculo no meu caminho é Israel. Nasser morreu de ataque cardíaco três anos após a Guerra dos Seis Dias. Seus amigos disseram que ele morreu com um coração ferido.

- O não tão carismático primeiro-ministro de Israel, Levi Eshkol, não era queridinho de ninguém, especialmente durante a crise diplomática que levou à guerra de 1967. Muitos israelenses duvidavam da sua capacidade de administrar um país que estava caminhando para a guerra com múltiplas frentes. Ele também tinha um sonho, e que não era o pan-israelismo, nem a conquista de Jerusalém. Ele sonhava com a paz. E ele, também morreu com o coração ferido, de acordo com sua esposa.


- Na primavera de 1967 a Síria abrigava e treinava militantes palestinos, que declararam que a causa da sua guerra santa era a "aniquilação do Estado de Israel". Em um incidente caças de combate de Israel e da Síria colidiram, e o primeiro-ministro Eshkol emitiu uma leve advertência para Damasco.


- O Kremlin leva a sério a advertência de Eshkol. Em 1967 o Egito assim como a Síria estavam sob a influência soviética. Na primavera de 1967 os soviéticos secretamente transmitem notícias surpreendentes para o porta-voz do parlamento do Egito, Anwar Sadat: Em uma semana, Israel estará pronto para atacar a Síria. Sadat transmite com urgência a informação para Nasser.


- Cairo ordena que quatro divisões se posicionem na fronteira do Sinai. Ele também convoca milhares de soldados da reserva. Finalmente 40.000 soldados, mais de 300 tanques de fabricação soviética, artilharia e viaturas de transporte de tropas atravessam o Sinai. As nações árabes com entusiasmo apóiam as tropas na fronteira.


- As informações da inteligência soviética mostraram ser uma farsa. Israel não ataca a Síria. Mas Nasser não pode voltar atrás da idéia de acabar militarmente com Israel. Ele está sob pressão de seu próprio estado maior militar, da sua própria nação e do mundo árabe.


- E enquanto Israel celebra o 19º aniversário da sua independência, o gabinete de guerra mobiliza uma brigada de 3.000 homens, e convoca reservistas. A população de Israel é de 2,5 milhões de pessoas.

- Uma zona tampão com alguns milhares de soldados das tropas da ONU separam as tropas inimigas. A missão de paz já está lá há mais de 10 anos. No dia 16 de maio Nasser ordena ao Comandante da Força da ONU Indar Jit Rykhye para que evacue as suas tropas dentro de 48 horas. Quando Rykhye pergunta a um comandante egípcio se o Egito estava ciente das conseqüências, o comandante responde: "Oh senhor (não se preocupe), eu vou encontrá-lo para almoçarmos em Tel Aviv". A força deixa a região e Egito e Israel são deixados sozinhos.

- Em 22 de maio Nasser fecha o Estreito de Tiran à navegação israelense, o que praticamente se constitui uma declaração de guerra. Este ato eletriza o mundo árabe, especialmente os palestinos de Jerusalém Oriental que haviam sido deslocados em 1948. Nasser fala sobre o retorno às fronteiras pré-1948, ou seja, Israel não existiria mais.

- O Secretário Geral da ONU, U Thant, chega ao Cairo, mas não consegue convencer Nasser, que lhe diz reservadamente que ele tem medo de um golpe de estado ou de ser assassinado. Os generais egípcios querem a guerra, Nasser afirma.

- O Ministro das Relações Exteriores israelense Abba Eban viaja para Washington, mas não consegue a ajuda dos Estados Unidos pois o presidente Lyndon Johnson não se compromete que os EUA ajudarão se Israel for atacado.


- Há entusiasmo e apoio no mundo árabe para a próxima guerra. O Kuwait promete que o seu exército ficará sob o Comando Unido, juntamente com a Argélia, Marrocos e Tunísia. O Rei da Arábia Saudita Faisal se une a coalizão, e diz: "Queremos ver o extermínio de Israel".


- No dia 30 de maio o Rei da Jordânia, Hussein voa para o Cairo para assinar um pacto de defesa com Nasser. O exército jordaniano agora será comandado por um general egípcio.

- A CIA informa ao chefe do serviço de inteligência de Israel, Meir Amit, "Nós planejamos nada fazer, se Israel for atacado".

- As 07:50 do dia 5 de junho, a Força Aérea israelense decola para atingir todas as bases aéreas do Egito simultaneamente. Em três horas a força aérea egípcia é totalmente destruída, tendo perdido 280 modernos caças e bombardeiros. E em duas horas a força aérea síria é destruída e alguns minutos somente para destruir a da Jordânia.


- A população árabe dança nas ruas quando as transmissões de rádio do Cairo informam sobre grandes vitórias contra Israel. Israel ordena o silêncio de rádio total. Depois que Israel destruiu as linhas de comunicação jordanianas a Jordânia somente recebe notícias da guerra pela Rádio do Cairo. Em uma conversa telefônica Nasser diz ao rei Hussein que os aviões egípcios estão sobre os céus de Israel. Incentivada pelas (falsas) notícias a Jordânia bombardeia cidades israelenses.

- A batalha por Jerusalém começa. Israel envia pára-quedistas para Jerusalém. Em cinco horas a resistência da Jordânia está vencida.

- Uma conversa telefônica de Nasser com Hussein é interceptada, na qual os dois discutem se devem culpar somente os EUA ou os EUA e a Grã-Bretanha pela derrota humilhante. Ambos, eles concordam.

- Nas negociações na ONU o Egito e Síria recusam um cessar-fogo e terra por um acordo de paz.

- O exército egípcio se retira do Sinai. Israel captura dezenas de milhares de prisioneiros que posteriormente foram soltos.

- Em quatro dias Israel vence Egito e a Síria e controla toda Jerusalém. Mas os bombardeios sírios começam. No quinto dia Israel ataca a Síria e captura as Colinas de Golan. Desta vez na ONU, a Síria quer um cessar-fogo, mas Israel resiste. O exército israelense chega a 40 quilômetros de Damasco. Então Israel faz uma parada e concorda com um cessar-fogo.



- A Guerra dos Seis Dias acabou. Israel agora controla 3,5 vezes mais território do que tinha a seis dias, incluindo Jerusalém. Israel oferece a devolução do Sinai e das Colinas de Golan em troca da paz; também Israel está disposto a negociar sobre a Cisjordânia, mas insiste em manter toda a cidade de Jerusalém.

- Um mês após a guerra os líderes árabes se reúnem em Cartum. Nasser ainda é o líder indiscutível do mundo árabe. Os líderes árabes recusam a proposta conjunta EUA-URSS de terra por paz. A convenção termina com quatro notas: Não ao reconhecimento de Israel, não para negociações, não para a paz, e todos os Estados árabes devem se preparar para uma ação militar.

Portanto vamos tentar nos livrar das amarras da ideologia religiosa ou apenas da ideologia e tentarmos sermos justos. O retorno às fronteiras de 1967 significa uma aposta sem perda, uma contradição em si mesma. É o mesmo que apostar dinheiro em um jogo, perder e fazer um escândalo na loja de apostas para devolverem o dinheiro. Em termos de guerra, isso seria o mesmo que os gregos propondo para que a Turquia voltasse às fronteiras pré-1923: Eles atacaram, perderam, e os gregos, ao contrário dos árabes, não têm a intenção de capturar a Anatólia central no século 21.

Aqui a questão é simples: Será que a Arábia Unida hoje concordaria em voltar para as fronteiras de 1967 se a sua gloriosa força de oito nações unidas conseguissem aniquilar Israel há quatro décadas? Os árabes deveriam ser capazes de entender que eles sempre podem desfrutar de um almoço em Tel Aviv, como os pacíficos cidadãos árabes de Israel o fazem, uma vez que superem o ódio religioso e ideológico e façam a paz com Israel.

domingo, 20 de junho de 2010

Sonho Sionista

EXCELENTE !!!

Abaixo a resposta do jornalista israelense Yossi Lapid para o escritor palestino Anton Shamas que escreveu o seguinte (texto traduzido do francês):
"Senhoras e senhores, chegou o momento, neste dia de festa, de reconhecer com total franqueza e sem sentimento de vergonha e sem baixar os olhos que esse negocio acabou mal. A aventura sionista é um fracasso total.
Anton Shamas
"

Eis a resposta de Yossef Lapid:


"Shamas, meu amigo,
Um Estado que exporta sistemas sofisticados de computação e ensina estados sul americanos a plantar melões. Um Estado que exporta todos os meses produtos no valor de um bilhão de dólares para a Europa, EUA e mesmo Japão. Uma democracia exemplar onde os ministros temem os controles e a prestação de contas e onde os juízes só temem a Deus.
Um Estado que possui um dos melhores exércitos do mundo. Um estado onde há poucos crimes de sangue mas muitos excelentes concertos. Onde os fiéis de todas as religiões gozam de liberdade de culto e onde mesmo os leigos são bem-vindos.
10% dos cidadãos do pais são imigrantes novos; 89% acham que apesar de todas as dificuldades (e a Agência Judaica) , é um bom país para se viver. Eis um Estado onde um Anton Shamas é um homem livre, em um dia de festa nacional, é livre de publicar um ataque virulento contra tudo que é caro aos judeus que vivem neste país.
Shamas, será talvez capaz de nos perdoar tudo isso. Mas o que ele não agüenta, é o fato que, apresentados à luz das realizações do sionismo, as falhas dos árabes parecem tão humilhantes e deprimentes. Quantos Palestinos há, meu amigo? Um milhão, dois? Três?
E quantos Estados árabes te cercam? Vinte? Vinte países com reis e ditadores de terror e derramamento de sangue.
Não há uma só democracia árabe com liberdade de expressão e direitos cívicos. Você nos fala de fracasso do Estado de Israel comparado com quem? A Argélia, o Egito? O Iraque? Quantos Árabes há entre o Atlântico e o Golfo pérsico? Cem milhões? Duzentos?
E quantos muçulmanos há? Um bilhão! E eles rezam ao mesmo Alá, em nome do mesmo profeta Maomé. E todos, tantos são e não conseguem resolver o problema do esgoto em Gaza!
Há 47 anos vocês se preparam para a independência palestina, e ainda não conseguem recolher o lixo doméstico de Jericó.
Apesar de todo o petróleo do mundo, não conseguem mobilizar a fraternidade árabe para construir um hospital em Deir Balah.
E todas as torneiras de ouro puro da Arábia Saudita e todas as Jacuzzis do Kuwait não bastam para fornecer água potável em Jabalya.
Isto posto, amigo, você sabe muito bem não é?
Se um milhão de judeus vivessem em Gaza, esta cidade se tornaria um paraíso terrestre. Neste momento operários palestinos fariam fila para lá trabalhar.
Se houvesse um bilhão de judeus, os Judeus de Gaza não precisariam de esmola da ONU. Os Judeus do mundo cuidariam dos judeus de Gaza e Gaza seria há muito a pérola do Mediterrâneo.
Vamos lá, Anton Shamas, tudo isso você já sabe, e é bem isso que te exaspera.
É a inveja que te devora e te perde.
Assim, veja, o momento chegou de concluir com total franqueza, sem sentimento de vergonha e sem baixar os olhos: aquilo que não funcionou é a aventura palestina que terminou em fracasso total.
Em meio século, partindo de quase zero, os sionistas forjaram um Estado que lança seus próprios satélites no espaço e fornece à marinha americana aviões espiões sem piloto.
A língua hebraica (uma das maravilhas do sionismo) uniu os sabras aos refugiados dos campos, os judeus sefaradim e os judeus do leste e do oeste.
O sionismo é a maior 'success story' do século XX!
50 anos após a derrota de Hitler e do Mufti de Jerusalém, o sionismo vive e prospera no coração do Oriente Médio, num Estado com 4 e ½ milhões de judeus de cuja sobrevivência em certo momento se poderia duvidar.

Yossi Lapid"

sábado, 19 de junho de 2010

O antissemitismo é novamente politicamente correto

O antissemitismo é novamente politicamente correto

A flotilha de Gaza foi uma peça de teatro islâmica perfeita, revelando um antigo ódio europeu.

Por: Leon de Winter*

É um fenômeno fascinante: Por que as pessoas e organizações que se apresentam como progressistas se unem a muçulmanos reacionários?

O grupo “Free Gaza” se mostra apenas como uma aliança de esquerda islâmica. Bem, Gaza já está livre. Israel retirou-se da estreita faixa há cinco anos. E também não há necessidade de qualquer ajuda humanitária. Mais de um milhão de toneladas de suprimentos humanitários entrou em Gaza proveniente de Israel nos últimos 18 meses, o equivalente a quase uma tonelada de ajuda para cada homem, mulher e criança na região.

Mas a população de Gaza votou em eleições democráticas para serem governados por um partido cujo ódio aos judeus é a pedra fundamental da sua existência. Qualquer um que duvide disso deve ler o manifesto do Hamas na Internet. O fato de que Gaza está completamente "livre de judeus" não é suficiente para o Hamas. Eles querem que Israel também seja "livre de judeus". O bloqueio de Israel para "produtos estratégicos" não foi concebido para punir o povo palestino, mas para impedir o Hamas de obter armas pesadas e construir abrigos subterrâneos. Uma idéia simples de entender.

Por exemplo, ao contrário de Gaza, a Chechênia não é livre. Os russos esmagaram a luta pela independência dos chechenos com o bombardeamento intensivo de sua capital. E o que dizer de um estado curdo? Os turcos e iraquianos infligiram horrores inimagináveis contra os curdos. No entanto, apesar disso, não há a “Flotilha Livre do Curdistão” indo em direção a Turquia, e as autoridades russas não têm medo de serem presas em capitais européias por crimes de guerra.

Aqui estão mais alguns fatos. Vamos observar a taxa de mortalidade infantil em Gaza. Este é um número chave, que diz muito sobre as condições de higiene, nutrição e cuidados com a saúde. Em Israel, a taxa de mortalidade infantil é de 4,17 por 1.000 nascimentos, o que é aproximadamente o mesmo que nos países ocidentais. No Sudão a taxa é de 78,1, ou seja, uma em cada 13 crianças morrem ao nascer. Em Gaza, a mortalidade infantil, por 1.000 nascimentos é 17,71. Sim, este número é maior do que em Israel, mas muito menor do que no Sudão. E a taxa de mortalidade infantil da Turquia? Bem, isso é 24,84. Sim, mais crianças morrem ao nascer na Turquia do que em Gaza.

Aqui está outro fato. A expectativa de vida é 73,68 anos em Gaza. E na Turquia, novo protetor de Gaza, a expectativa de vida é de apenas 72,23 anos. Se os israelenses realmente queriam tornar a vida dos palestinos curta e desagradável, então eles estão obviamente fazendo algo errado.

Os progressistas não ligam para qualquer outro grupo de muçulmanos pobres ou oprimidos. Eles só clamam pelas "vítimas" dos judeus. Por que isso acontece?

Uma das razões é Yasser Arafat, cujo gênio foi redefinir a causa palestina na retórica neo-marxista e antiimperialista. Ele criou um novo contexto para o seu povo: a luta contra o colonialismo e o racismo. Ele era um líder corrupto clássico com um talento incrível para jogar com a mídia e os políticos ocidentais. Os progressistas adotaram os palestinos como seus favoritos, a vítima quintessência do imperialismo e do colonialismo, como resumido pelo estado sionista.

Mas há outra razão pela qual os progressistas ocidentais odeiam Israel, mas são indiferentes para as violações dos direitos humanos na Turquia, Irã ou Rússia. Isto por causa do Holocausto.

Os europeus, que representam muito do que vai para a opinião pública mundial, se cansaram de carregar a culpa pela destruição dos judeus do continente. Eles começaram a sonhar com alguma forma de libertação histórica. Isso está vindo na forma de resposta militar de Israel aos ataques islâmicos e terroristas. Os europeus não poderiam perder a oportunidade de difamar os judeus e redefinir as medidas de defesa de Israel como “desproporcional” ou total agressão - em outras palavras, crimes de guerra.

Na visão dos progressistas europeus, o conflito Israel-Palestina tornou-se um conflito sem comparação, um fenômeno único de vítimas européias gerando vítimas palestinas, que parecia diminuir o peso dos europeus sobre o massacre do povo judeu.

Assistindo a demonização de Israel, o ataque ao seu direito de defesa, como disse o primeiro-ministro Benyamin Netanyahu, torna-se claro que existe uma necessidade profunda entre os europeus em chamar os judeus de assassinos. É por isso que os palestinos, como "vítimas" dos judeus, são mais importantes que as numerosas vítimas muçulmanas dos extremistas também muçulmanos. É por isso que milhões de outros muçulmanos que vivem em piores condições do que os palestinos dificilmente recebem qualquer menção na mídia. É por isso que Gaza é comparada com o Gueto de Varsóvia e Auschwitz. Ao chamar os israelenses de nazistas, os verdadeiros nazistas foram legitimados. É como se os europeus, liderados pelos progressistas, desejassem que os árabes terminassem o trabalho. Chega com os judeus. Isto é o que é: A libertação da Europa do legado do Holocausto.

Por décadas, os nossos progressistas, ativistas pacifistas ocidentais, foram enganados e manipulados por árabes tiranos e agora por turcos e iranianos islamitas. Eles estão ajudando nos esforços para destruir um dos maiores sucessos dos tempos modernos: a criação do Estado de Israel.

O que temos assistido com a frota de Gaza é a execução perfeita de uma obra magistral de teatro islâmico. A indignação selvagem da mídia, um orgasmo de hipocrisia, marca o próximo capítulo da longa história do ódio dos europeus contra os judeus. É politicamente correto, novamente, ser um antissemita.

*Leon de Winter é um romancista holandês. Seu último livro é "O Direito de Retorno" (2008).